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Reciclagem de telhas de asfalto: uma benção para a Minnesota C&D Recycler

Jan-2013

O Conselho de Reciclagem do Nordeste dos EUA estima que mais de 11 milhões de toneladas de telhas de asfalto são descartadas nos EUA por ano. Dessas, 10 milhões são de trabalhos de demolição e reforma de telhados e mais um milhão é de descarte de resíduos por fabricantes de telhas de asfalto. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA estima que os resíduos de telhas compõem 8% do fluxo total de resíduos relacionados a edifícios e de 1% a 10% dos detritos anuais de construção e demolição, o que representa um tremendo impacto para os aterros sanitários em todo o país.

Devido à sua composição material (asfalto em vez de madeira, metal ou outros materiais de construção), essas telhas geralmente são separadas de outros resíduos de construção, tornando os protetores de telhado descartados excelentes candidatos à reciclagem. As instalações de reciclagem reagiram a isso, e novas tecnologias criaram algumas oportunidades de economia de dinheiro para os mercados de telhas recicladas, principalmente como aditivo para preparações de pavimentação asfáltica. Usar asfalto misturado a quente com apenas 5% de material reciclado de telhas pode representar uma economia de US$ 1,00 a quase US$ 3,00 por tonelada desse asfalto, além de melhorar a qualidade dele ao ser utilizado na pavimentação.

Preocupado com a quantidade de resíduos de construção descartados que acabavam nos aterros sanitários do país, e sabendo que boa parte deles poderia ser aproveitada, Mark Pahl viu uma oportunidade e fundou a Dem-Con Shingle Processing. A Dem-Con Companies, LLC, com sede em Shakopee, Minnesota, EUA, foi fundada em 1985 e, de início, seu negócio era principalmente um aterro sanitário para resíduos de construção e demolição. Ao longo dos anos, o aterro evoluiu para incluir não só resíduos de demolição e construção, mas também certos tipos de resíduos industriais e solos impactados.

"Basicamente, lidamos com todos os resíduos não perigosos, com exceção do lixo doméstico", diz Pahl. "Material de construção e demolição ainda é o foco principal e a maior parte do nosso negócio. Atendemos uma área que inclui a região metropolitana de Minneapolis/St. Paul, além das comunidades rurais circundantes. Processamos muitos tipos diferentes de resíduos de construção antes de irem para o aterro sanitário, incluindo madeira, metal, papelão, concreto, asfalto etc. A remoção dos materiais antes de irem para o aterro sanitário geram muito valor."

Pesquisadores descobriram que o uso de telhas de asfalto recicladas na mistura a quente pode realmente melhorar o desempenho da pavimentação, aumentando sua resistência ao desgaste e à umidade e diminuindo a deformação, a formação de sulcos, a fadiga térmica e as rachaduras. Atualmente, uma parte substancial da reciclagem de telhas de asfalto envolve a mistura de 5% de telhas moídas ao asfalto misturado a quente, utilizado na pavimentação de estradas e em aplicações de remendos a frio. Pahl fica entusiasmado por não precisar mais mandar as telhas para o aterro sanitário.

"Em nível local, a cada ano processamos cerca de 8.928 toneladas de sucata de fabricação", diz Pahl. "Esse material vem direto do fabricante de telhas como refugos de fabricação ou fim de produção. Acrescente a isso os restos adicionais da troca de telhados de casas existentes, granizo, demolição, entre outros, e o montante aumenta para algo entre 22.321 e 35.714 toneladas que costumavam ir diretamente para o aterro sanitário. E isso só nas nossas instalações em Shakopee. Imagine o efeito em âmbito nacional".

Aproveitando uma peneira separadora de madeira para processamento
De acordo com Pahl, o material que a Dem-Con recebe como rejeitos de fábrica está pronto para ser processado sem nenhuma preparação especial, pois o material não contém nenhum contaminante nem detritos de construção. Telhas provenientes de projetos de troca de telhado criam um pouco mais de problema e exigem limpeza e filtragem de outros materiais, visto que esses detritos frequentemente chegam às instalações misturados com uma variedade de outras substâncias, incluindo estanho, metal, saídas de ventilação de telhado, chapas etc.

"Removemos todos os detritos que não contenham asfalto em uma linha de separação", explica Pahl. "Basicamente o material é espalhado em uma correia transportadora e operários removem manualmente todos os materiais que não contêm asfalto quando esses se movem ao longo da linha de separação. Dali, as telhas estão prontas para serem moídas. Geralmente o triturador envia o material diretamente para uma peneira separadora para criar o produto final desejado utilizado na mistura de asfalto a quente".

Pahl usa um triturador projetado especificamente para processar material de telhas. As telhas de asfalto brutas são primeiro trituradas até um tamanho inferior a 1,3 cm e esse material é então enviado para uma peneira separadora a fim de reduzir o material das telhas trituradas a uma espessura ainda mais fina. A Dem-Con comprou uma unidade de peneira separadora Wildcat 626 fabricada pela Wildcat Manufacturing, uma empresa de propriedade da Vermeer, para ajudar a agilizar o processo. "Nossa especificação na instalação de mistura a quente varia em cada lugar do país, mas menos de 1,3 cm é basicamente o padrão", explica Pahl. Alguns estados, incluindo Minnesota, exigem uma granulação ainda mais fina e a peneira separadora é realmente a única maneira de obter um produto do tamanho que desejam de forma rentável."

A peneira separadora pode ser equipada com diferentes tamanhos de peneiras para atingir o resultado final desejado. Por exemplo, o Departamento de Transporte de Minnesota (MDOT) exige que o material final seja de uma consistência que Pahl descreve como semelhante a um café moído grosso. À medida que o material passa por diferentes peneiras, cada uma delas fica mais fina e reduz o material à consistência final desejada. Pahl explica o processo.

"A peneira número quatro tem entre 0,3 e 0,5 cm", explica ele. "A especificação exige 90% de material passando pela peneira número quatro e 100% passando por 1,3 cm. Alguns Estados especificam um material um pouco mais grosso; cada um é diferente. Percebemos que cada vez mais Estados estão exigindo um material mais fino. Assim, a peneira separadora Wildcat vai desempenhar um papel mais importante nas próximas temporadas. A peneira separadora Wildcat, com várias seções de peneiras que podem ser ajustadas rapidamente, nos ajuda a criar uma série de variáveis e tem flexibilidade no dimensionamento do produto final.

Todo material maior (muito grande para atender às especificações) é reciclado de novo pelo triturador e acaba sendo triturado ainda mais, um processo em ciclo fechado que resulta na utilização de toda a matéria-prima, sem desperdício. Assim, nenhum material asfáltico jamais acabará no aterro sanitário. Tudo é usado.

Expansão e otimização dos processos
A Dem-Con entrou em contato com recicladores em todo o país e trabalhou com os departamentos estaduais de transporte (DOT) para expandir a reciclagem de telhas de asfalto por todos os EUA. Isso exigiu obter conhecimento profundo do setor de pavimentação asfáltica e do processo de mistura a quente usado para concluir a construção de estradas e projetos de estacionamentos.

"Quando começamos isso, muitos Ministérios do Transporte estaduais não tinham especificações para mistura a quente usando telhas, mas cada vez mais as estão preparando", diz Pahl. "Não importa a especificação do Ministério do Transporte, podemos atendê-la. Estamos competindo com asfalto virgem porque é isso que o asfalto recuperado das telhas substitui. O uso de telhas na mistura permite que o produtor da mistura a quente reduza o uso do asfalto virgem, que tem preços elevados. Então realmente resulta em economia de custos para eles. Isso permite que esse processo seja economicamente viável".

A Dem-Con trabalha duro para a pré-venda da maior parte do produto final, um componente necessário da operação de negócios de Pahl por causa da preparação de produtos específicos para tantos Ministérios do Transporte estaduais e fornecedores de asfalto diferentes. "Temos bastante dinheiro investido no processo e nos certificamos de que o produto tenha destino certo antes de processá-lo", explica Pahl. "Além disso, trabalhamos com recicladores locais que estão envolvidos na coleta de telhas em todo o país para também ajudá-los. Então, há momentos em que podemos ajudar a empresa, apenas tentando comercializar o material, antes de aparecermos para processá-lo. Isso beneficia a todos para serem o mais rentáveis possível. Assim, ajudamos no que for possível para tentar impulsionar o processo".

Expectativa de crescimento e expansão
De acordo com Pahl, a reciclagem de telhas de asfalto vem ocorrendo há vários anos, mas só recentemente o processo tornou-se mais refinado, popularizado e está ganhando eficiência. À medida que mais estados adotam especificações para a mistura a quente de materiais, ele está otimista de que o setor continuará a crescer.

"O segredo da expansão é conseguir que mais Ministérios do Transporte estaduais participem", explica Pahl. "A maioria dos fabricantes de misturas a quente não colocará nenhum material na sua mistura a menos que seja aprovado pelo Ministério do Transporte. Assim, se o Ministério do Transporte estadual não aprovar o material para uso em seus projetos de estradas, os recicladores e processadores não farão o investimento no equipamento ou na tecnologia necessários para torná-lo um modelo de negócio eficiente. Tivemos um papel importante em avançar o processo aqui em Minnesota, trabalhando com o Ministério do Transporte, com a Agência de Controle de Poluição de Minnesota, bem como produtores e associações de mistura a quente para fazer que o material de telha triturado fosse aprovado em uma especificação de permissão em todo o estado."